“... A Morte é um sinal de descanso para a carne. Sinal de glórias ou sofrimento eterno para o espírito... Mas o que aconteceria se suas almas nunca alcançassem o céu ou o inferno?”
O Frio era congelante naquela noite de setembro. Os pequenos cristais de gelo caiam abundantes, formando um deserto branco e atípico para esta época do ano em Los Angeles. Uma janela debatia-se contra a fachada no 2º andar de um pequeno prédio residencial na 15th street com a 1st avenue, abrindo e fechando; revelando a esguia silhueta de um homem solitário, sentado em sua poltrona de couro acinzentado, velha e barata. Portava uma pistola automática em uma das mãos, enquanto apertava um urso de pelúcia contra o próprio peito com a outra.A única luz que se fazia presente no recinto era oriunda de uma pequena televisão. A imagem estava desfocada pela tempestade que assolava a cidade naquele momento e o som quase inaudível, traduzia do português uma notícia qualquer sobre o desaparecimento de um avião de passageiros da TAM, que saíra de São Paulo com destino a Nova York.
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Era a terceira vez em menos de dez minutos que John Blaze consultava os ponteiros do relógio, situado na parede à sua esquerda; pareciam torturá-lo num lento e doloroso compasso. Há dias que repetia o mesmo ritual. Suas pálpebras mantinham-se trêmulas. Passava todo o tempo restante contemplando seu mais novo trunfo: um anjo de longos e cacheados cabelos loiros e olhos cor de mel chamada Luíze. Seria a última noite que Blaze passaria acordado. Luíze seria a garantia de seu futuro, A porta de acesso para seu merecido descanso, afinal este seria seu último ato. Nunca falhara antes... E não poderia se dar o luxo de falhar em sua última vez
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- Emergência no piso superior, Quarto nº 208. Mande um médico para lá, agora! – gritava uma enfermeira...
08h00min da manhã. Algo estranho acontecera com os aparelhos que sustentavam a vida de Akina. Um de seus freqüentes visitantes, Joseph, se encontrava sereno e calmo durante a visita daquela manhã. Tinha se mostrado forte e controlado durante todo o tempo em que Akina ficara em coma. Conversara com ela todos os dias, mesmo sem nunca ter escutado uma única palavra em troca. Nunca faltara ou se quer se atrasara uma única vez. Já se tornara uma rotina no quarto de nº 208 do USC University hospital: pela manhã, o velho Joseph. À tarde, o jovem de cabelos negros e cacheados. Nunca se encontravam. Nunca se viam. E a bela continuava adormecida.
Akina não conhecia os pecados mundanos. Era quase um anjo. Estava a 18 anos naquele estado, em cima daquela cama...
...12h00min. O aparelho que emitia os sonoros batimentos cardíacos de Akina saiu do compasso alternado e tornou-se contínuo... Tinha apenas 18 anos de idade.
08h00min da manhã. Algo estranho acontecera com os aparelhos que sustentavam a vida de Akina. Um de seus freqüentes visitantes, Joseph, se encontrava sereno e calmo durante a visita daquela manhã. Tinha se mostrado forte e controlado durante todo o tempo em que Akina ficara em coma. Conversara com ela todos os dias, mesmo sem nunca ter escutado uma única palavra em troca. Nunca faltara ou se quer se atrasara uma única vez. Já se tornara uma rotina no quarto de nº 208 do USC University hospital: pela manhã, o velho Joseph. À tarde, o jovem de cabelos negros e cacheados. Nunca se encontravam. Nunca se viam. E a bela continuava adormecida.
Akina não conhecia os pecados mundanos. Era quase um anjo. Estava a 18 anos naquele estado, em cima daquela cama...
...12h00min. O aparelho que emitia os sonoros batimentos cardíacos de Akina saiu do compasso alternado e tornou-se contínuo... Tinha apenas 18 anos de idade.
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A floricultura próxima ao Griffith Park Observatory era o ponto de encontro. Um homem bem vestido e devidamente agasalhado, aparentava ter entre 30 e 35 anos chegara primeiro. Carregava consigo um urso de pelúcia em uma das mãos e uma valise prateada na outra. Aguardou exatos sete minutos e saiu à medida que um outro homem de sobretudo e óculos escuros se aproximava a passos lentos em sua direção. Luíze encontrava-se a duas centenas de metros, dentro de uma Mercedes vermelha.
A troca era simples: Luíze pelo conteúdo da valise.
... Ao abrir a valise e contemplar o verde dos dólares que agora se encontravam em seu poder, John Blaze desviou por um breve instante o olhar do seu inimigo instantâneo e deu-o tempo de retirar a pistola 9mm do interior do urso de pelúcia e descarregar o pente. John pôde enfim descansar em paz... 
O outro homem, que encontrava-se na mercedes, ao ver seu companheiro ao chão, sacou uma arma e fez mira contra a cabeça da pequena Luíze...

O outro homem, que encontrava-se na mercedes, ao ver seu companheiro ao chão, sacou uma arma e fez mira contra a cabeça da pequena Luíze...
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O ferimento era gravíssimo. Nada poderia ser feito. O avião da TAM caíra sobre a floresta amazônica, numa área desabitada. Corpos se amontoavam por todos os lados... Alicia segurou a cabeça de Alex de encontro ao seu peito e constatou uma hemorragia na parte posterior do crânio. Os olhos dele cerraram-se. Alicia não segurou a dor da perda, estava tentando ser forte. Depois que presenciou a morte de seu futuro marido, ela pôde enfim morrer em paz.... Uma parte da fuselagem do avião perfurara seu pulmão direito. “E agora ela podia reencontrá-lo no céu”....
Ou pelo menos assim pensara ela...