"Ao longe ouvia-se o rumor agonizante do bater das asas de penas negras daqueles anjos caídos... Numerosos como as estrelas do firmamento e ferozes como cães de caça à espreita". Angeline fitou Aleph, o líder dos 50 anjos como se esperasse algum alento para aquele momento único e aterrador. Era como se quisesse a confirmação de algo. Uma resposta!
Aleph assentiu silenciosamente com a cabeça e recuou alguns metros a passos lentos. Sem que os outros anjos de seu grupo percebessem, Angeline distanciou-se deles e alçou vôo em direção à nuvem negra que se aproximava rápida e voraz, engolindo tudo em sua trajetória nefasta. Os anjos ignoravam o agourento barulho que tornava-se gradativamente ensurdecedor, e concentrados em oração, pediam a proteção de Deus contra aquele exército das trevas... Quando um grito pavoroso tirou-os de seus estados de meditação.
- Angeline! Não faça isso. Por favor, Angel... Não! – O anjo Gabrielle gritava, enquanto debatia-se ao ser segurada pelo anjo Soma, evitando assim que ela seguisse Angeline naquele inexplicável ato suicida... todos olhavam incrédulos, a terrível cena que se desenrolara naquele momento...
A bestial nuvem de anjos caídos incubrira parcialmente a lua e por um breve instante todos foram cegados pela escuridão fantasmagórica que se formara repentinamente. Para muitos dos anjos de Aleph, o terror e o medo foram maiores do que a própria fé. Aleph mantinha-se de punho cerrado, indiferente, à frente dos outros 48 anjos... Era como se soubesse desde o começo o que Angel pretendia fazer... E só agora, Joliet, Soma e os outros também entendiam... Só havia uma coisa à ser feita.
O anjo Dewdrop ajoelhou-se e inclinou a cabeça para frente. Não queria testemunhar “o suicídio de um anjo...”

... E aquela noite tornou-se dia por longos e terríveis minutos, que mais pareciam horas. Angeline despedaçou-se numa luz tão intensa quanto o amor que a fez dar sua vida pela de Aleph. O anjo caído Seraph foi apanhado por aquele clarão apocalíptico e terminal... Tombou junto a centenas de outros anjos negros. Milhares sobreviveram, mas foram exterminados por Aleph e seus “48 anjos”.
No final da batalha, eles eram apenas oito ao todo. Haviam travado a mais sangrenta das carnificinas... Aquela noite marcou a queda de Seraph, porém marcou também o fim de Angeline.
Aleph abaixou a cabeça em sinal de luto. Para o anjo Sephiroth, aquele gesto era uma alusão à derrota. Aquela batalha não tinha um ganhador... Todos saíram perdedores...
O líder daqueles 7 anjos sabia que não haveria alento algum. Não precisava de confirmação... Pois já tinha a resposta final... O conselho celeste não o perdoaria. Jamais!
